sexta-feira, 22 de maio de 2009

Só tentei..

Tenho tentado de todas as maneiras que pude, esquecer, fugir, de qualquer vestígio seu. Tentei com todas as minhas forças esquecer a sua voz e esses olhos que já me secam antes mesmo de me olharem. Os livros pra ler, o trabalho que era demais, os estudos que me sugavam as energias e o tempo que me faltava..Tudo desculpa! Já que sempre fiz tudo isso e ainda me sobrava tempo pra estar por aqui,por você. A farsa durou mais tempo que eu imaginava, 1 mês é um grande progresso quando você acha que 1 dia é uma eternidade..mas não foi fácil, precisei sair de mim várias e várias vezes, precisei fingir no fingimento, pra não lembrar de você eu precisei mais que tudo, me esquecer um pouco. Era terminantemente proibido pra mim qualquer contato com o computador, assim tive tempo mais que suficiente pra ler todos aqueles livros que não lia por falta de tempo, e quando não estava lendo, estava estudando, ou trabalhando, ou dormindo, ou em qualquer outro lugar do planeta que não me lembrasse da sua existência. Apesar de que todas as vezes que que passava pela B.S. lembrava de você, que você estaria em qualquer lugar perto dali. No fim de semana todas as pessoas sentadas na mesa eram a sua cara, e cada vez que chegava alguém meu coração pulava com a esperança de ser você, chegando finalmente pra mim. Por quase todas as noites pensei em te ligar, pra desejar boa noite, e fiquei feliz quando vi que não tinha mais seu número na agenda. Droga, eu decorei o maldito numero do seu celular. Achava ótimo quando uma parte de mim lembrava sempre que, eu não sou corajosa o suficiente pra te ligar, então acabava esquecendo a idéia e voltava a ler meu emocionante livro (Vidas secas -Graciliano Ramos), de título sugestivo.. ja que nenhuma vida é mais seca do que a minha. A vida não estava melhor que antes, mas pelo menos eu estava cumprindo bacana o meu trato comigo mesma. Não foi fácil..estes, foram dias desleais. E a recaída aconteceu, aquela mensagem estragou tudo, eu joguei fora todas as noites que me segurei pra nao te ligar, todos os dias que lutei comigo mesma pra não sentar na mesma cadeira que sento agora e falar com você ao menos um simples "oi" , ou abrir o seu orkut e me machucar só mais um pouquinho vendo as fotos de vocês dois transbordando felicidade. Em um segundo eu esqueci o meu objetivo principal: Te esquecer. Não aguentei mais ficar como estava, ter contato com você doía, mas doía mais ainda não ter, eu queria saber como estava, eu queria pelo menos que lembrasse que eu ainda estava aqui, que soubesse que dificilmente eu te esqueceria e.. ENVIAR! Pronto, acabei de fazer uma merda, mas apesar de saber disso eu estava bem melhor, como a muito não tinha estado. Quem eu era pra esquecer que você responderia aquela mensagem? É claro que responderia, você responderia se eu tivesse dito apenas "oi". Que burra, sua resposta era tudo que eu precisava pra gostar ainda mais. Prato cheio pra tristezas e lamentações mais tarde. Eu tinha esquecido do quão atraente você é. E como sempre, você me surpreende, altas horas lembrou que eu existo. Pensei mil coisas, "Essa hora, e eu no pensamento dele fazendo o quê?, será que é verdade o que aparenta asvezesquasenunca? :D ), e por fim demonstrando que me conhece mais do que eu supunha. Me diz como é que eu vou deixar você partir de mim? Cada vez que eu tento, mas dentro você está. Se cada comparação que faço, você ganha. Aquele corpo que acho lindo forte, pernas lindas, o charme do potinho, nada! Ainda assim eu escolho você e toda a sua magreza, e falta de pote.. Eu decidi que não vou mais fugir, eu não quero fechar os olhos pra o que não da pra esconder. Eu vou ficar aqui, AINDA esperando que os ventos mudem a direção.. e a sorte sorria pra mim. Até lá, eu fico aqui tentanto encontrar o melhor jeito de viver com isso, o melhor jeito de conviver comigo mesma harmoniosamente. ;) Por fim, me desculpo a quem me acompanha aqui no Blog, está claro o porque da ausência, mas quero dizer que senti muita falta daqui, dos blogs que acompanho, e do carinho de vocês! Mas to de volta, com mais gaz que nunca.. afinal, todos os dias são fatos e afetos! Jéssica Lima

segunda-feira, 23 de março de 2009

Silêncio

Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável.. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo ou preconceito. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minha construção, desconstrói. Meus convites quase nunca agradam. Meus pedidos sempre desagradam. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele. Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Se estou animada, cuidado com a rasteira. Se estou desanimada, não tem mão pra levantar. Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele. Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

..

Nasci mulher,Como diz alguem ali, é fato. Cresci menina, concordo. De pernas cruzadas, cabelos alinhados... Vivi madura, é certo. Aprendi a traçar os olhos, a disfarçar as lágrimas, a não borrar a maquiagem. Escrevi meus passos, acreditei nos planos, colhi meus frutos.. Provoquei emoções, faz parte. Ensinei meus truques, briguei na vida, gritei, enforquei os problemas. Escondi a dor, distribuí amor. Superei o tempo. Amei demais, está em mim, mulher sem amor não existe. Atraí desejos, por capricho ou não; por pura paixão. Caminhei e caí, me ergui. E não pretendo mudar. Arregacei as mangas tantas vezes, que já nem sei desenrolar